Brasília finalmente prestes a inaugurar jardim prometido para a Copa de 2014

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Brasília está à beira de concluir um projeto há muito tempo aguardado: o jardim prometido para a Copa do Mundo de 2014 e que custará R$ 19 milhões, três vezes mais que o valor inicial, após nove anos de prazos não cumpridos.

Este ambicioso projeto de urbanização, inspirado no paisagismo icônico do artista plástico Roberto Burle Marx, começou a ser concebido em 2013, com a promessa de encantar os visitantes durante o torneio de futebol. 

Inicialmente, o objetivo era criar um cartão postal da capital.

Entretanto, quando a Copa chegou, em 2014, o espaço de 225 mil metros quadrados entre a Torre de TV e a Rodoviária do Plano Piloto ainda estava longe de estar pronto. O que os visitantes encontraram foi um terreno com montes de terra e buracos no canteiro central da avenida Eixo Monumental, que liga à Esplanada dos Ministérios.

Com a construtora responsável abandonando o projeto, os buracos e estruturas incompletas se tornaram refúgios para traficantes e usuários de drogas. 

O governo do Distrito Federal, na época, prometeu entregar o parque antes do Mundial, mas sem a parte hídrica.

Depois que a Copa passou, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) definiu um novo prazo para outubro de 2017, mas também não conseguiu cumprir a promessa, levando à rescisão do contrato com a construtora.

A Novacap assumiu o projeto com a promessa de inauguração em meados de 2018, mas novamente não conseguiu concluir a obra. Em setembro do ano passado, o Banco de Brasília (BRB) assumiu o projeto e, após prometer várias datas de entrega não cumpridas, agora afirma que o jardim será inaugurado na próxima semana.

Na terça-feira, 13 de setembro de 2023, os tapumes que cercavam a área foram retirados, permitindo que a população observasse o resultado. O projeto inclui o plantio de vegetação nativa do cerrado, ciclovias, calçadas, espelhos d’água e espaços de convivência, porém, não se sabe se os jatos d’água estarão funcionando na inauguração.

O BRB também assumiu recentemente a reconstrução do autódromo de Brasília, vizinho ao novo jardim de Burle Marx, e a administração da Torre de TV, que enfrentou atrasos em sua reabertura após reformas.

VLT também está atrasado

Além do jardim, outro projeto que não cumpriu suas promessas relacionadas à Copa de 2014 é o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que deveria ligar o terminal da Asa Norte ao Aeroporto Internacional de Brasília. 

Apesar dos planos ambiciosos, as obras foram interrompidas diversas vezes por questões legais e, finalmente, o projeto foi cancelado em 2012.

A obra completa estava estimada em R$ 1,5 bilhão, mas apenas o primeiro trecho foi licitado por R$ 780 milhões. Até a suspensão do projeto, o governo do Distrito Federal gastou pelo menos R$ 20 milhões, de acordo com o Tribunal de Contas da União (TCU). 

Após anos de incerteza, nenhum novo plano para o VLT foi anunciado.

O Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, que sediou jogos da Copa de 2014, também não cumpriu todas as suas promessas. A construção do estádio custou mais do que o previsto, e as obras de urbanização no entorno nunca foram realizadas, apesar de terem sido anunciadas.

O custo real da construção do estádio ainda é motivo de debate, com estimativas variando entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,1 bilhões. O projeto de urbanização e paisagismo em um raio de 3 km ao redor do estádio também nunca foi realizado, resultando em uma área com bares, restaurantes e painéis de publicidade que destoam do projeto original da cidade.

A promessa de túneis que ligariam o estádio a outros pontos importantes da cidade também não se concretizou, e não há previsão para o início de qualquer obra relacionada a isso. Portanto, a conclusão do jardim de Burle Marx é um passo positivo, mas ressalta as promessas não cumpridas que ainda permeiam outros legados da Copa de 2014 na capital brasileira.

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