Readequação no Parque da Cidade: adeus aos pinheiros e um novo começo

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Um cenário inesperado tem surpreendido frequentadores do Parque da Cidade, especialmente aqueles que costumam pedalar ou caminhar nas proximidades dos estacionamentos 3 e 4. O que antes era um exuberante trecho verde agora se transformou em um amplo descampado.

O impacto da mudança tem sido sentido por muitos. A conselheira tutelar Ana Cristina, ao deparar-se com a cena, expressou: “É um impacto, né? Dá um impacto na gente. Eu tive que atravessar ali e pisar em um meio de terra por causa dos bloqueios. O perigo é a gente pisar em falso e cair. Isso mexeu muito comigo”, disse Ana ao Correio Braziliense. 

O corredor Mário Blanco compartilhou da mesma surpresa ao portal do Correio Braziliense, observando que “Foi inesperado. Foi um impacto que a gente teve por estar acostumado com o verde, com os pinheiros, que davam sombra”, explica.

Essa transformação está relacionada ao processo de remoção dos pinheiros, que teve início em agosto deste ano. Essas árvores, não nativas do Cerrado, foram plantadas há mais de quatro décadas e representavam uma ameaça à segurança dos visitantes. 

O estacionamento 3, por exemplo, estava interditado desde setembro de 2022, após um acidente que deixou um estudante tetraplégico e uma idosa com a perna fraturada.

A área em questão abrange 6,2 hectares, equivalente a aproximadamente seis campos de futebol, e verá a retirada de 1.628 árvores. Raimundo Oliveira Silva, chefe do departamento de parques e jardins da Novacap, explicou que uma análise técnica prévia foi realizada para avaliar a situação das árvores antes do processo de remoção. 

Ele destacou ao Correio Braziliense: “As árvores chegaram ao final da idade delas. Muitas apresentavam podridão, ataque de doenças, fungos e brocas. A gente monitorou até onde deu, mas chegou um momento que, realmente, não dava para manter aquela floresta no local”, disse.

Restauração do projeto de Burle Marx

Além de evitar acidentes, a remoção dos pinheiros representa o primeiro passo para a restauração do projeto paisagístico original do Parque, concebido pelo renomado paisagista Burle Marx. 

O engenheiro florestal do IBRAM, Irving Martins Silveira, proponente do plano oficial, explicou que o objetivo é preservar a fidelidade ao projeto original, com adaptações necessárias.

O projeto original de Burle Marx incorpora espécies de diversos biomas brasileiros, como Amazônia, Mata Atlântica, Caatinga, Cerrado e Pantanal. No entanto, algumas espécies recomendadas no plano original não são adequadas devido a patógenos, insetos e outros fatores que podem afetar a saúde das árvores e causar quedas. 

Dessa forma, adaptações serão feitas, sugerindo espécies seguras que mantenham características estéticas e funcionais semelhantes à proposta original.

A área do Bosque dos Pinheiros era popular entre as famílias, com atividades como churrascos, piqueniques e ensaios fotográficos. Com a interdição do espaço, muitas famílias migraram para outras áreas do parque. 

O Secretário Executivo de Políticas de Esporte do Distrito Federal, Renato Junqueira, assegurou que as churrasqueiras serão revitalizadas e restauradas, além de um projeto em desenvolvimento para acomodar as famílias que costumam fazer churrasco no parque.

Os pinheiros removidos não serão desperdiçados. Os galhos e folhas serão triturados e transformados em composto orgânico doado a pequenos agricultores, enquanto os troncos serão leiloados por empresas, com os recursos revertidos para os cofres públicos.

A previsão é que, até o final de 2027, as novas árvores já proporcionem sombra para os visitantes, marcando um novo começo para o Parque da Cidade e seu projeto paisagístico original.

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